
Aneurisma cerebral: sintomas, causas e tratamento
O que é aneurisma cerebral, sintomas, fatores de risco, casos na família, exames e opções de tratamento. Saiba quando procurar um neurocirurgião.
Dor de cabeça muito forte, que começa de repente e chega ao máximo em segundos? Pode ser a ruptura de um aneurisma. Não espere uma consulta: ligue 192 (SAMU). Veja o que fazer
O aneurisma cerebral é uma dilatação, parecida com uma pequena bolha, que se forma em um ponto mais fraco da parede de uma artéria do cérebro.

Cerca de 3 em cada 100 adultos têm um aneurisma e não sabem. A maioria nunca vai romper. O que a avaliação procura responder é se aquele aneurisma, em particular, tem risco que justifique tratar. E a importância do diagnóstico precoce está justamente aí: avaliar o risco antes de uma ruptura, que pode ser devastadora.
Sinais e sintomas
Na maior parte das vezes, o aneurisma não dá sintoma. Ele costuma ser descoberto por acaso, em uma tomografia ou ressonância pedida por outro motivo, como uma dor de cabeça comum, uma batida na cabeça ou uma tontura. Se esse foi o seu caso, leia Descobri um aneurisma por acaso: e agora?.
Alguns aneurismas maiores podem apertar um nervo ou uma área do cérebro e causar:
- pálpebra caída de um lado;
- pupila de um olho maior que a do outro;
- visão dupla;
- dor atrás de um olho.
Esses sinais não são de emergência como uma ruptura, mas pedem avaliação rápida, no mesmo dia ou nos dias seguintes.
Quando o aneurisma rompe, o sangue se espalha em volta do cérebro. Isso se chama hemorragia subaracnóidea, e os sinais aparecem de repente:
- dor de cabeça muito forte, diferente de qualquer outra, que atinge o máximo em segundos ou poucos minutos;
- vômitos;
- rigidez na nuca;
- incômodo com a luz;
- desmaio, confusão ou convulsão.
A ruptura é uma emergência e precisa de hospital. Ligue 192. Para distinguir esse tipo de dor das dores de cabeça comuns, veja Dor de cabeça: sinais de alerta.
Causas e fatores de risco
Não existe uma causa única. O aneurisma surge da combinação entre uma parede de artéria mais frágil e a força com que o sangue bate nela, principalmente nos pontos em que a artéria se divide. Os fatores que aumentam a chance de ter um aneurisma, ou de ele crescer e romper, são:
- fumo, o fator que mais pesa e que pode ser mudado;
- pressão alta;
- casos na família, principalmente quando dois ou mais parentes de primeiro grau tiveram aneurisma;
- doença renal policística, uma doença hereditária dos rins;
- algumas doenças do tecido conjuntivo, como as síndromes de Ehlers-Danlos e de Marfan;
- uso de cocaína e excesso de álcool;
- ser mulher e ter mais de 50 anos.
Em relação ao risco de romper, também contam o tamanho, o formato (aneurismas irregulares ou com “bolhas” na parede preocupam mais), o lugar em que ele está e se ele cresceu entre um exame e outro.
Aneurisma na família
Quem tem um parente com aneurisma costuma se perguntar se deve fazer exame. A resposta depende de quantos parentes e de qual grau:
- Quando dois ou mais parentes de primeiro grau (pais, irmãos ou filhos) tiveram aneurisma, a chance de também ter um é bem maior que a da população geral. Nesses casos, as diretrizes atuais consideram razoável fazer um exame de imagem, como a angiorressonância.
- Quando há um só parente, a decisão é individual. Pesa a idade, o fumo, a pressão e a preocupação da pessoa.
- Quem tem doença renal policística também costuma ser orientado a investigar.
O exame pode achar um aneurisma que precise de tratamento, mas também pode achar um aneurisma pequeno, que nunca daria problema, e trazer anos de preocupação e de exames de controle. Vale conversar sobre isso antes de pedir. O assunto está detalhado em Caso de aneurisma na família: preciso fazer exame?.
Como é feito o diagnóstico
- Angiotomografia e angiorressonância: exames de imagem, com ou sem contraste, que mostram as artérias do cérebro. São os mais usados para achar e acompanhar aneurismas.
- Arteriografia cerebral: um cateter leva contraste direto às artérias do cérebro. Mostra o aneurisma em detalhe e ajuda a escolher o tratamento.
- Tomografia sem contraste e, às vezes, punção lombar: usadas na emergência, quando há suspeita de ruptura.
Opções de tratamento
Nem todo aneurisma precisa de tratamento. Há três caminhos:
- Acompanhar. Muitos aneurismas pequenos, sem crescimento e sem formato preocupante, são acompanhados com exames de imagem de tempos em tempos. Junto, controla-se a pressão e para-se de fumar.
- Embolização. Feita por dentro da artéria, com um cateter que entra pela virilha ou pelo punho. O aneurisma é preenchido com molas de platina ou o fluxo de sangue é desviado com um stent especial.
- Cirurgia com clipe. Feita por uma abertura no crânio. Um clipe de metal é colocado na base do aneurisma para que o sangue não entre mais nele.
A escolha entre embolização e cirurgia depende do formato e do lugar do aneurisma, da idade e da saúde da pessoa. Para alguns aneurismas, as duas opções são possíveis. Para outros, uma delas é claramente mais adequada. Veja como essa decisão é feita em Aneurisma: embolização ou cirurgia?.
Quando procurar um neurocirurgião
- Um exame de imagem mostrou um aneurisma, mesmo que você não sinta nada.
- Você tem dois ou mais parentes de primeiro grau com aneurisma cerebral, ou doença renal policística.
- Outro médico pediu avaliação com neurocirurgião.
- Você já recebeu uma indicação de tratamento e quer uma segunda opinião.
Na consulta, vejo as imagens com você, explico o tamanho, o formato e o lugar do aneurisma, e conversamos sobre o risco de deixar como está e o risco de tratar. Leve as imagens do exame (CD, pen drive ou link), o laudo, a lista de remédios e, se houver, informações sobre parentes com aneurisma. O roteiro completo está em Primeira consulta com neurocirurgião: o que levar.
Perguntas frequentes
Aneurisma tem cura?
O objetivo do tratamento é fechar o aneurisma para que o sangue não entre mais nele e, assim, reduzir o risco de ruptura. Depois da embolização ou da cirurgia, a pessoa continua fazendo exames de controle, porque o aneurisma pode voltar a encher ou surgir outro.
Todo aneurisma precisa de tratamento?
Não. Muitos aneurismas pequenos são só acompanhados. A decisão compara o risco de romper com o risco do tratamento.
Posso fazer exercício ou viajar de avião tendo um aneurisma?
Na maioria dos casos, sim. A orientação depende do aneurisma e da sua pressão. Converse sobre isso na consulta.
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Neurocirurgião em Belo Horizonte. CRM-MG 33.699 · RQE 10.580.

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Tem um aneurisma ou caso na família?
O diagnóstico precoce serve para avaliar se aquele aneurisma tem risco que justifique tratar. Leve as imagens do exame (CD, pen drive ou link) e o laudo.
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