
AVC: como reconhecer, o que fazer e como prevenir
Saiba reconhecer os sinais do AVC com o teste SAMU, o que fazer enquanto o socorro não chega e quais fatores de risco podem ser controlados para prevenir.
Sintomas súbitos? Boca torta, fraqueza em um lado do corpo, fala enrolada ou perda de visão. Não espere uma consulta nem que passem: ligue 192 (SAMU). Veja o passo a passo
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como derrame, é uma emergência médica. Ele acontece quando os vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, e a região que ficou sem circulação deixa de funcionar. Segundo o Ministério da Saúde, diagnóstico e tratamento rápidos aumentam as chances de recuperação. Por isso, saber reconhecer os sinais é tão importante quanto conhecer a prevenção.
Os dois tipos de AVC
O AVC isquêmico acontece quando uma artéria é obstruída, e o sangue deixa de levar oxigênio às células do cérebro, que acabam morrendo. É o mais comum: responde por cerca de 85% dos casos, segundo o Ministério da Saúde.

O AVC hemorrágico acontece quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia. Corresponde a cerca de 15% dos casos.

Os tratamentos dos dois tipos são opostos, e só um exame de imagem mostra qual deles aconteceu. É por isso que não se deve dar remédio por conta própria enquanto o socorro não chega. Veja mais em AVC isquêmico e hemorrágico: qual a diferença?.
Como reconhecer: o teste SAMU
Os sinais do AVC surgem de repente, e basta um deles para pedir ajuda. O Hospital Sírio-Libanês divulga um teste simples, que usa a sigla SAMU:
- S de sorriso: peça para a pessoa sorrir. A boca ou o rosto ficam tortos de um lado?
- A de abraço: peça para levantar os dois braços. Um deles não sobe ou cai?
- M de música ou mensagem: peça para repetir uma frase simples. A fala sai enrolada ou com palavras trocadas?
- U de urgência: se houver falha em qualquer um dos testes, ligue 192.

O Ministério da Saúde lista ainda outros sinais de alerta: confusão mental, alteração da fala ou da compreensão, alteração da visão em um ou ambos os olhos, dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente, alteração do equilíbrio ou da coordenação, tontura e fraqueza ou formigamento em um lado do corpo.
Sintomas que passam sozinhos também contam. O ataque isquêmico transitório, o “mini-AVC”, pode ser o aviso de um AVC logo em seguida. Leia Mini-AVC (AIT): por que não ignorar.
O que fazer enquanto o socorro não chega
O SAMU 192, serviço do Ministério da Saúde, orienta pelo telefone e leva a pessoa ao hospital adequado. Se não conseguir falar com o SAMU, ligue 193 (Bombeiros).
Faça:
- anote o horário em que os sintomas começaram, ou a última vez em que a pessoa foi vista bem, porque a equipe médica vai perguntar;
- mantenha a pessoa em posição segura, de lado se estiver sonolenta ou vomitando;
- separe os documentos e a lista de remédios;
- fique ao lado dela.
Evite:
- dar comida, água ou remédio;
- esperar para ver se melhora;
- deixar a pessoa sozinha;
- levar a pessoa de carro até um lugar que não tenha pronto-socorro.
Fatores de risco
Alguns fatores não podem ser mudados: a idade, a genética, o sexo e o histórico familiar. O Ministério da Saúde destaca que o AVC afeta mais os homens. Já estes fatores podem ser controlados:
- pressão alta, o principal deles;
- diabetes e colesterol alto;
- fumo;
- excesso de álcool e uso de drogas ilícitas;
- sobrepeso, obesidade e sedentarismo;
- arritmias do coração, como a fibrilação atrial.
O estudo internacional INTERSTROKE, publicado na revista The Lancet, analisou pessoas de 32 países e associou dez fatores de risco modificáveis a cerca de 90% do risco de AVC. A hipertensão foi o fator de maior peso. É um estudo de observação, e por isso ele mostra associação, e não garante que controlar esses fatores evitará todos os casos. Por esse motivo, o texto fala em reduzir o risco, e não em eliminá-lo.
Como reduzir o risco
Controle a pressão, a glicose e o colesterol
Meça a pressão com regularidade e trate se estiver alta. Muita gente só descobre depois de anos. Diabetes e colesterol também precisam de acompanhamento e de tomar os remédios como foram prescritos, sem interromper por conta própria.
Adote hábitos saudáveis
O Ministério da Saúde recomenda não fumar, evitar o álcool e as drogas ilícitas, ter alimentação saudável, manter o peso ideal e praticar atividade física.
Faça seus exames regulares
Consulte seu médico regularmente para verificar a pressão, a glicose e o colesterol, e investigue palpitações, que podem indicar arritmia. Os exames das artérias do pescoço ou do cérebro não são indicados para todo mundo, mas podem ser pedidos para quem teve sintomas, tem vários fatores de risco ou já teve um AVC. Veja também Como reduzir o risco de AVC.
Quando procurar um neurocirurgião
O AVC costuma ser acompanhado pelo neurologista. A avaliação com o neurocirurgião vascular entra quando os exames mostram uma causa nas artérias que pode precisar de procedimento: estreitamento da carótida ou de artérias do cérebro, aneurisma, malformação ou fístula. Mais informações na página AVC: tipos, prevenção e tratamento.
Fontes
- Ministério da Saúde. AVC.
- Ministério da Saúde. SAMU 192.
- Hospital Sírio-Libanês. Como reconhecer um AVC.
- O’Donnell MJ et al. Global and regional effects of potentially modifiable risk factors associated with acute stroke in 32 countries (INTERSTROKE). The Lancet, 2016.
Leia também
Neurocirurgião em Belo Horizonte. CRM-MG 33.699 · RQE 10.580.

Atendimento em Belo Horizonte
Quer entender melhor o seu risco de AVC?
Agende sua consulta com um neurocirurgião e leve seus exames. Quando há alteração nas artérias do pescoço ou do cérebro, a avaliação faz parte da prevenção.
Marque sua ConsultaLigar (31) 3226-3688Artigos relacionados
Ver todos os artigos →
2 min de leitura
Como reduzir o risco de AVC
Parte dos casos de AVC pode ser evitada. Veja os fatores de risco que podem ser controlados, o que fazer no dia a dia e quais exames conversar com seu médico.

3 min de leitura
AVC isquêmico e hemorrágico: qual a diferença?
Entenda a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico, as causas de cada um e por que o tratamento é diferente. Sinais súbitos pedem o 192.

