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Dr. Ricardo QuadrosNeurocirurgião · BH
Médicos analisando tomografias do cérebro em monitores.
AVC3 min de leitura

AVC isquêmico e hemorrágico: qual a diferença?

Entenda a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico, as causas de cada um e por que o tratamento é diferente. Sinais súbitos pedem o 192.

Dr. Ricardo Quadros
Publicado em · Atualizado em

Sintomas súbitos? Boca torta, fraqueza em um lado do corpo, fala enrolada ou dor de cabeça muito forte e diferente de todas. Não espere uma consulta: ligue 192 (SAMU). Veja o que fazer

AVC é a sigla de acidente vascular cerebral, o que muita gente chama de derrame. Ele acontece quando o sangue deixa de chegar a uma parte do cérebro. Sem sangue, as células daquela região param de funcionar e, em pouco tempo, morrem. Existem dois tipos, e eles têm causas e tratamentos opostos. Por isso a primeira pergunta da equipe no hospital é: este AVC é isquêmico ou hemorrágico?

AVC isquêmico: uma artéria entope

No AVC isquêmico, uma artéria fica bloqueada e o sangue não passa. É o tipo mais comum, responsável por cerca de 8 em cada 10 casos.

O bloqueio pode ter origem em lugares diferentes:

  • No coração. Um coágulo se forma, por exemplo, em quem tem arritmia, e viaja até o cérebro.
  • Na carótida. Uma placa de gordura se solta da artéria do pescoço e entope um vaso do cérebro.
  • Dentro do crânio. Uma artéria estreitada reduz o fluxo ou forma coágulos no próprio local.

AVC hemorrágico: um vaso se rompe

No AVC hemorrágico, um vaso rompe e o sangue vaza para dentro ou em volta do cérebro. A causa mais comum é a pressão alta mal controlada ao longo dos anos. Também pode vir da ruptura de um aneurisma cerebral ou de uma malformação arteriovenosa.

Por que a diferença importa

Os tratamentos são opostos. No isquêmico, existem tratamentos que tentam desfazer o coágulo, com remédio na veia ou por cateter, e eles só podem ser feitos nas primeiras horas, em hospitais preparados. No hemorrágico, o foco é controlar a pressão e o sangramento, e em alguns casos é preciso cirurgia.

Um remédio que ajuda em um tipo pode piorar o outro. É por isso que não se deve dar AAS ou remédio para pressão por conta própria enquanto o socorro não chega: só os exames, como a tomografia ou a ressonância, mostram qual é o tipo.

Os sinais são parecidos

Nos dois tipos, os sinais começam de repente:

  • boca torta ao sorrir;
  • fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
  • fala enrolada ou dificuldade para entender o que dizem;
  • perda de visão de um olho, ou visão dupla;
  • tontura forte com desequilíbrio;
  • dor de cabeça muito forte e diferente das outras, mais típica do hemorrágico.

Não dá para saber o tipo só pelos sintomas. Diante de qualquer um deles, ligue 192.

E o mini-AVC?

Existe ainda o ataque isquêmico transitório, o AIT, em que os sintomas aparecem e somem em minutos ou poucas horas. É um aviso que precisa ser investigado no mesmo dia. Leia mais em Mini-AVC (AIT): por que não ignorar.

Depois da fase aguda: descobrir a causa

Quem teve um AVC precisa entender por que ele aconteceu, para tentar evitar outro. A maior parte das pessoas é tratada com remédios: antiagregantes, anticoagulantes, remédios para pressão e colesterol. Uma parte menor tem uma causa nas artérias que pode pedir um procedimento, como uma carótida muito estreitada, um aneurisma ou uma malformação. É nesses casos que entra a avaliação do neurocirurgião vascular. A decisão entre só remédios ou procedimento depende da causa, e não da preferência por um método.

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Escrito por
Dr. Ricardo Quadros

Neurocirurgião em Belo Horizonte. CRM-MG 33.699 · RQE 10.580.

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