
Carótida estreitada: stent, cirurgia ou remédio?
Carótida entupida precisa de stent? Entenda a estenose de carótida, quando o tratamento com remédios basta e quando stent ou cirurgia podem ser considerados.
“Carótida entupida” é uma expressão que assusta. Em geral, o que existe é uma estenose de carótida: o estreitamento de uma das duas grandes artérias que sobem pelos lados do pescoço e levam a maior parte do sangue para o cérebro. Na maioria das vezes, a artéria está estreita, e não totalmente fechada. Este texto explica o que isso significa e como se decide o tratamento.
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Por que ela importa
O estreitamento é quase sempre causado por placas de gordura e cálcio que se acumulam na parede da artéria, a aterosclerose. O risco está em pedaços da placa que podem se soltar e causar um AVC. A maioria das pessoas com estenose não sente nada, e o problema costuma ser descoberto em um ultrassom com doppler pedido por outro motivo, ou porque o médico ouviu um sopro no pescoço.
Quando dá sinal, é na forma de um AVC ou de um mini-AVC: fraqueza ou dormência em um lado do corpo ou do rosto, dificuldade para falar ou para entender, perda da visão de um olho, como se uma cortina descesse. Uma estenose que já causou sintomas tem risco maior de novo AVC, principalmente nas primeiras semanas, e por isso a avaliação deve ser rápida.
Todos precisam de tratamento com remédios
Toda pessoa com estenose de carótida deve tratar os fatores de risco: parar de fumar e controlar a pressão, o colesterol e o diabetes. Em geral, usa-se também um antiagregante, como o AAS, e uma estatina. Esse tratamento clínico é a base, com ou sem procedimento. Veja também Como reduzir o risco de AVC.
Quando um procedimento é considerado
O procedimento pode ser considerado principalmente quando:
- a estenose é importante e já causou sintomas do mesmo lado (AVC ou mini-AVC);
- a estenose é muito importante, sem sintomas, em pessoas selecionadas.
Existem dois procedimentos:
- Stent e angioplastia: feito por dentro da artéria, com um cateter. Um balão abre o trecho estreitado e uma malha metálica, o stent, mantém a artéria aberta.
- Endarterectomia: cirurgia aberta no pescoço, em que a placa é retirada de dentro da artéria. É feita por cirurgião vascular ou neurocirurgião.
Os dois foram comparados em vários estudos, e cada um tem vantagens em grupos diferentes de pessoas. Os estudos que compararam stent e cirurgia mostraram um pouco mais de AVC logo após o stent e um pouco mais de infarto após a cirurgia.
O stent costuma ser preferido quando o pescoço já foi operado ou recebeu radioterapia, quando a estenose está num ponto alto do pescoço, difícil de alcançar pela cirurgia, ou quando há doença do coração ou dos pulmões que aumenta o risco da cirurgia e da anestesia geral. Em pessoas mais velhas, ou com artérias muito tortuosas ou calcificadas, a cirurgia aberta pode ser mais adequada.
E quando não há sintomas?
Aqui a discussão é mais fina, porque o tratamento clínico atual reduziu muito o risco de AVC. Um estudo grande publicado em 2025 mostrou benefício pequeno do stent somado ao tratamento clínico em estenoses importantes sem sintomas. Isso não quer dizer que toda estenose sem sintomas deva ser tratada com stent. Muitas pessoas, principalmente as sem sintomas, são tratadas só com remédios e acompanhadas por ultrassom. A decisão é individual.
Como é o diagnóstico
- Ultrassom com doppler das carótidas: o exame mais usado. Sem radiação, sem contraste e sem dor.
- Angiotomografia ou angiorressonância: confirmam o grau da estenose e mostram as artérias acima e abaixo do estreitamento.
- Arteriografia: quando os outros exames não bastam, ou como parte do próprio procedimento.
O grau é dado em porcentagem. Uma estenose de 70%, por exemplo, quer dizer que a passagem do sangue está 70% mais estreita do que o normal.
Na consulta
Faço a avaliação para indicar ou não o tratamento por dentro da artéria, o stent. Vemos os exames juntos e conversamos sobre o grau da estenose, se ela já causou sintomas, o risco de AVC com e sem procedimento e as alternativas. Quando a cirurgia aberta parece a melhor opção, encaminho para um cirurgião vascular.
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Neurocirurgião em Belo Horizonte. CRM-MG 33.699 · RQE 10.580.

Atendimento em Belo Horizonte
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Leve o ultrassom com doppler, a angiotomografia ou angiorressonância (com as imagens) e a lista de remédios. Conversamos sobre o grau do estreitamento e o risco com e sem procedimento.
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