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Dr. Ricardo QuadrosNeurocirurgião · BH
Neurocirurgião com lupa e lanterna de cabeça durante um procedimento.
Estenose intracraniana3 min de leitura

Stent cerebral: o que dizem os estudos

Artéria do cérebro estreitada precisa de stent? Para a maioria, remédios são a primeira opção. Entenda quando o stent intracraniano é considerado.

Dr. Ricardo Quadros
Publicado em · Atualizado em

Quem recebe o diagnóstico de “artéria cerebral obstruída” costuma perguntar: “Então preciso de um stent?”. A resposta, para a maioria das pessoas, é não como primeira opção. Este texto explica por quê, com base no que os estudos mostraram.

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O que é a estenose intracraniana

É o estreitamento de uma artéria que fica dentro do crânio, já no caminho para o cérebro. Na maior parte das vezes, é causada pelo mesmo processo que entope as artérias do coração: placas de gordura e cálcio na parede do vaso. Quando o estreitamento é importante, ele pode reduzir o sangue que chega ao cérebro ou formar coágulos, e causar um AVC.

Ela pode não dar sinal algum e ser achada por acaso. Quando dá, costuma ser como um AVC isquêmico, um mini-AVC ou sintomas que aparecem quando a pressão cai, por exemplo ao levantar rápido.

O tratamento com remédios é a base

Estudos grandes mostraram que, na maioria das pessoas com estenose intracraniana por aterosclerose, o tratamento com remédios e o controle intensivo dos fatores de risco é a melhor primeira opção. Ele inclui:

  • antiagregantes, às vezes dois ao mesmo tempo por alguns meses após o AVC;
  • estatina em dose adequada;
  • controle rigoroso da pressão e do diabetes;
  • parar de fumar;
  • atividade física regular.

O que os estudos mostraram sobre o stent

Os estudos que compararam o stent com o tratamento clínico não mostraram vantagem do stent como primeira opção, e em alguns houve mais complicações com ele. Isso se explica pelo próprio local: as artérias dentro do crânio são finas e têm ramos pequenos que nutrem áreas importantes do cérebro. Por isso os riscos do stent ali são maiores do que em artérias do pescoço, como a carótida.

Os riscos incluem AVC isquêmico, sangramento no cérebro, trombose do stent e nova estenose dentro dele.

Quando o stent pode ser considerado

Em casos selecionados, depois de uma avaliação cuidadosa. Por exemplo:

  • quando a pessoa continua tendo AVC ou mini-AVC mesmo tomando os remédios corretamente e com os fatores de risco controlados;
  • quando o estreitamento é muito importante e o cérebro depende dessa artéria, sem outras que compensem.

Conversamos sobre o que o stent pode e não pode fazer, com seus riscos. Mais detalhes em Stent cerebral (intracraniano).

Outros usos do stent no cérebro

O stent também é usado em outras situações, que não são a estenose por aterosclerose: como apoio no tratamento de alguns aneurismas, segurando as molas dentro de aneurismas de colo largo, ou como diversor de fluxo; e, na fase aguda do AVC, quando uma artéria fechada não fica aberta depois da retirada do coágulo.

Nem toda estenose é aterosclerose

Existem outras causas de estreitamento de artérias dentro do crânio, com tratamento diferente: dissecção (uma lesão na parede da artéria), inflamações dos vasos, a doença de moyamoya e o espasmo temporário das artérias. Por isso, descobrir a causa faz parte da avaliação.

O que levar para a consulta

As imagens de angiotomografia, angiorressonância ou arteriografia, o resumo de internação, a lista de remédios com as doses e os últimos exames de sangue (colesterol e glicose).

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Escrito por
Dr. Ricardo Quadros

Neurocirurgião em Belo Horizonte. CRM-MG 33.699 · RQE 10.580.

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