
Doenças vasculares do cérebro
Estenose de carótida
Dr. Ricardo Quadros · Neurocirurgião · CRM-MG 33.699
As carótidas são as duas grandes artérias que sobem pelos lados do pescoço e levam a maior parte do sangue para o cérebro. Estenose de carótida é o estreitamento de uma delas, quase sempre causado por placas de gordura e cálcio que se acumulam na parede da artéria (aterosclerose). É o que muita gente chama de “carótida entupida”. A estenose importa por um motivo: pedaços da placa podem se soltar e causar um AVC.
Sinais e sintomas
A maioria das pessoas com estenose de carótida não sente nada. O estreitamento costuma ser descoberto em um ultrassom com doppler pedido por outro motivo, ou porque o médico ouviu um sopro no pescoço.
Quando dá sinal, é na forma de um AVC ou de um ataque isquêmico transitório (AIT), um episódio que dura minutos ou poucas horas e depois passa:
- fraqueza ou dormência em um lado do corpo ou do rosto;
- dificuldade para falar ou entender;
- perda da visão de um olho, como se uma cortina descesse.
Mesmo que os sintomas passem, procure atendimento no mesmo dia. Se estão acontecendo agora, ligue 192. Veja o que fazer
Uma estenose que já causou sintomas é chamada de sintomática e tem risco de novo AVC maior, principalmente nas primeiras semanas. Por isso, a avaliação deve ser rápida.
Causas e fatores de risco
São os mesmos fatores da aterosclerose em outras partes do corpo, como no coração e nas pernas:
- fumo;
- pressão alta;
- colesterol alto;
- diabetes;
- idade acima de 65 anos;
- doença nas artérias do coração ou das pernas;
- casos na família.
Causas menos comuns incluem a dissecção da carótida (uma lesão na parede da artéria, mais comum em pessoas jovens) e o estreitamento depois de radioterapia no pescoço.
Se o estreitamento está em uma artéria dentro do crânio, e não no pescoço, o assunto é outro: veja a estenose intracraniana.
Como é feito o diagnóstico
- Ultrassom com doppler das carótidas: é o exame mais usado. Não tem radiação, não tem contraste e mede o grau do estreitamento.
- Angiotomografia ou angiorressonância: confirmam o grau da estenose e mostram as artérias acima e abaixo do estreitamento, o que é importante para planejar um tratamento.
- Arteriografia: usada quando os outros exames não são suficientes, ou como parte do próprio procedimento.
O grau é dado em porcentagem. Uma estenose de 70%, por exemplo, quer dizer que a passagem do sangue está 70% mais estreita do que o normal.
Opções de tratamento
Tratamento com remédios, para todos. Toda pessoa com estenose de carótida deve tratar os fatores de risco: parar de fumar, controlar pressão, colesterol e diabetes. Em geral, também usa antiagregante (como o AAS) e estatina. Esse tratamento clínico é a base, com ou sem procedimento.
Procedimento, para alguns. Pode ser considerado principalmente quando:
- a estenose é importante e já causou sintomas (AVC ou AIT do mesmo lado);
- a estenose é muito importante, sem sintomas, em pessoas selecionadas.
Existem dois procedimentos:
- Stent e angioplastia de carótida: feito por dentro da artéria, com um cateter que entra pela virilha ou pelo punho. Um balão abre a artéria e uma malha metálica (stent) a mantém aberta.
- Endarterectomia: cirurgia aberta no pescoço em que a placa é retirada de dentro da artéria. É feita por cirurgião vascular ou neurocirurgião.
Os dois foram comparados em vários estudos, e cada um tem vantagens em grupos diferentes de pessoas. A idade, a anatomia da artéria, cirurgias ou radioterapia anteriores no pescoço e outras doenças ajudam a escolher.
Em pessoas sem sintomas, a discussão é mais fina, porque o tratamento clínico atual reduziu muito o risco de AVC. Um estudo grande publicado em 2025 (CREST-2) mostrou benefício pequeno do stent somado ao tratamento clínico em estenoses importantes sem sintomas. Isso não quer dizer que toda estenose sem sintoma deva ser tratada com stent. A decisão é individual.
Como é a consulta
Faço a avaliação para indicar ou não o tratamento por dentro da artéria, o stent. Na consulta, vemos os exames juntos e conversamos sobre o grau da estenose, se ela já causou sintomas, o risco de AVC com e sem procedimento e as alternativas. Quando a cirurgia aberta (endarterectomia) parece a melhor opção, encaminho para um cirurgião vascular.
Leve: o ultrassom com doppler, a angiotomografia ou angiorressonância (com as imagens), a lista de remédios e os resumos de internação, se houver.
Perguntas frequentes
O que é carótida entupida?
É o nome popular para a estenose de carótida: o estreitamento da artéria do pescoço por placas de gordura e cálcio. Na maioria das vezes, a artéria está estreita, e não totalmente fechada.
Como é o exame?
O primeiro exame costuma ser o ultrassom com doppler, feito com um aparelho apoiado no pescoço, sem dor, sem contraste e sem radiação. A angiotomografia e a angiorressonância completam a avaliação.
Qual a relação com o AVC?
Pedaços da placa podem se soltar e entupir artérias do cérebro, ou a artéria pode fechar por completo. A estenose de carótida é uma das causas de AVC isquêmico.
Quando o stent pode ser indicado?
Principalmente quando a estenose é importante e já causou AVC ou AIT, e em casos selecionados de estenose muito importante sem sintomas. A escolha entre stent e cirurgia depende de cada pessoa.
Quem tem estenose de carótida precisa operar?
Não necessariamente. Muitas pessoas, principalmente as sem sintomas, são tratadas só com remédios e com o controle dos fatores de risco, com acompanhamento por ultrassom.
Para marcar, veja como é a consulta, o endereço e os convênios.

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