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Dr. Ricardo QuadrosNeurocirurgião · BH

Doenças vasculares do cérebro

AVC: tipos, prevenção e tratamento

Dr. Ricardo Quadros · Neurocirurgião · CRM-MG 33.699

O acidente vascular cerebral (AVC), também chamado de derrame, acontece quando o sangue deixa de chegar a uma parte do cérebro. Sem sangue, as células daquela região param de funcionar e, em pouco tempo, morrem. Por isso o AVC é uma emergência, e cada minuto conta.

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Os dois tipos

AVC isquêmico. Uma artéria entope, e o sangue não passa. É o tipo mais comum, responsável por cerca de 8 em cada 10 casos. O entupimento pode vir de um coágulo formado no coração (por exemplo, em quem tem arritmia), de uma placa de gordura que se solta da carótida, ou do estreitamento de uma artéria dentro do crânio.

AVC hemorrágico. Um vaso rompe e o sangue vaza para dentro ou em volta do cérebro. A causa mais comum é a pressão alta mal controlada ao longo dos anos. Também pode vir da ruptura de um aneurisma ou de uma malformação arteriovenosa.

Existe ainda o ataque isquêmico transitório (AIT), às vezes chamado de “mini-AVC”: os sintomas aparecem e somem em minutos ou poucas horas. Não é para ser ignorado. O AIT pode ser o aviso de um AVC nos dias seguintes e precisa ser investigado logo.

Sinais e quando procurar atendimento

Os sinais começam de repente:

  • boca torta ao sorrir;
  • fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
  • fala enrolada ou dificuldade para entender o que dizem;
  • perda de visão de um olho, ou visão dupla;
  • tontura forte com desequilíbrio;
  • dor de cabeça muito forte e diferente das outras.

Diante de qualquer um deles, ligue 192. Alguns tratamentos do AVC isquêmico, que tentam desfazer o coágulo com remédio na veia ou por cateter, só podem ser feitos nas primeiras horas, em hospitais preparados.

Fatores de risco

Boa parte dos AVCs está ligada a fatores que podem ser controlados:

  • pressão alta, o principal deles;
  • fumo;
  • diabetes;
  • colesterol alto;
  • arritmias do coração, principalmente a fibrilação atrial;
  • obesidade e sedentarismo;
  • excesso de álcool.

Outros fatores não podem ser mudados, como a idade, casos na família e já ter tido um AVC ou AIT antes.

Como reduzir o risco

Parte dos casos de AVC pode ser evitada com o controle desses fatores. Na prática, isso significa:

  • medir a pressão e tratá-la, se estiver alta;
  • parar de fumar;
  • tratar diabetes e colesterol;
  • investigar palpitações e tratar arritmias;
  • manter atividade física regular e um peso adequado.

Converse com seu médico sobre quais exames fazem sentido para você. Exames das artérias do pescoço ou do cérebro não são indicados para todo mundo, mas podem ser pedidos para quem tem sintomas, vários fatores de risco ou já teve um AVC.

Como é feito o diagnóstico

Na emergência, a primeira pergunta é se o AVC é isquêmico ou hemorrágico, porque o tratamento é oposto. A tomografia ou a ressonância responde a isso. Depois, outros exames procuram a causa:

  • angiotomografia ou angiorressonância, para ver as artérias do pescoço e do cérebro;
  • ultrassom com doppler das carótidas;
  • eletrocardiograma, holter e ecocardiograma, para ver o coração;
  • arteriografia cerebral, em casos selecionados.

Tratamento

Na fase aguda, o tratamento é feito no hospital, por uma equipe de AVC. No isquêmico, pode incluir remédio para dissolver o coágulo e a retirada do coágulo por cateter (trombectomia). No hemorrágico, o foco é controlar a pressão e o sangramento. Em alguns casos, é preciso cirurgia.

Depois da fase aguda, o objetivo é descobrir a causa e evitar um novo AVC. A maior parte das pessoas é tratada com remédios: antiagregantes, anticoagulantes, remédios para pressão e colesterol. Uma parte menor tem uma causa que pede procedimento, como:

A decisão entre tratar só com remédios ou fazer um procedimento depende da causa do AVC, e não da preferência por um método. Quando há indicação de procedimento, ele é discutido com você, com os riscos e os benefícios esperados.

Reabilitação. Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional ajudam na recuperação de movimentos, fala e atividades do dia a dia, e são acompanhadas por equipes especializadas.

Quando procurar um neurocirurgião

O AVC costuma ser acompanhado pelo neurologista. A avaliação com o neurocirurgião vascular é indicada quando os exames mostram uma causa nas artérias que pode precisar de procedimento: estreitamento da carótida ou de artérias do cérebro, aneurisma, malformação ou fístula.

Leve para a consulta: os exames de imagem (com as imagens, não só o laudo), o resumo da internação, a lista de remédios e os exames do coração.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre AVC isquêmico e hemorrágico?
No isquêmico, uma artéria entope e o sangue não chega. No hemorrágico, um vaso rompe e sangra. O isquêmico é bem mais comum.

Como reduzir o risco de AVC?
Controlando a pressão, parando de fumar, tratando diabetes, colesterol e arritmias, e mantendo atividade física. Parte dos casos pode ser evitada assim.

Quando procurar um neurocirurgião?
Quando os exames mostram uma causa nas artérias que pode precisar de procedimento, como estreitamento da carótida, estenose intracraniana, aneurisma ou malformação.

Todo AVC precisa de cirurgia?
Não. A maior parte dos casos é tratada com remédios e com o controle dos fatores de risco. Procedimentos são indicados para causas específicas.

Como é o acompanhamento depois de um AVC?
Envolve consultas para ajustar remédios, exames para acompanhar a causa e reabilitação, quando há sequelas. O neurologista costuma coordenar, e o neurocirurgião entra quando há uma causa vascular que pede procedimento.

Para marcar, veja como é a consulta, o endereço e os convênios.

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