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Dr. Ricardo QuadrosNeurocirurgião · BH
Trombose venosa3 min de leitura

Trombose venosa cerebral: dor de cabeça e risco

Trombose venosa cerebral atinge mais adultos jovens e mulheres. Veja sinais de alerta, fatores de risco e por que o tratamento é com anticoagulante.

Dr. Ricardo Quadros
Publicado em · Atualizado em

Quando se fala em AVC, a imagem que vem à cabeça é a de uma artéria entupida. Mas o cérebro também tem veias, e elas também podem ser bloqueadas por um coágulo. É a trombose venosa cerebral: uma doença pouco comum, que atinge mais adultos jovens e mulheres, e em que a dor de cabeça costuma ser o sintoma principal.

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O que acontece

O coágulo se forma nas veias do cérebro ou nos seios venosos, os grandes canais por onde o sangue sai da cabeça e volta ao coração. Com a saída bloqueada, o sangue se acumula, a pressão dentro do crânio sobe e pode haver inchaço ou sangramento no cérebro. Com diagnóstico e tratamento, a maior parte das pessoas se recupera bem.

Ela é considerada um tipo de AVC, mas é diferente do mais conhecido: acontece nas veias, e não nas artérias, atinge pessoas mais jovens, tem a dor de cabeça como sintoma predominante e é tratada principalmente com anticoagulante. Para comparar com o AVC comum, veja AVC isquêmico e hemorrágico: qual a diferença?.

Sinais de alerta

Os sintomas podem começar de repente ou se instalar ao longo de dias:

  • dor de cabeça, presente na grande maioria dos casos. Costuma ser forte, diferente da habitual, piora deitado, ao tossir ou fazer força, e não melhora com os remédios de sempre;
  • visão borrada ou dupla, por causa da pressão alta dentro da cabeça;
  • vômitos;
  • crises convulsivas;
  • fraqueza ou dormência em um lado do corpo, ou dificuldade para falar;
  • sonolência ou confusão.

Uma dor de cabeça nova e persistente em quem tem algum dos fatores de risco abaixo merece avaliação médica rápida. Mais sobre esse tema em Dor de cabeça: sinais de alerta.

Fatores de risco

Na maioria das vezes há mais de um fator ao mesmo tempo:

  • anticoncepcional com hormônio (estrogênio) e reposição hormonal;
  • gravidez e as semanas depois do parto;
  • trombofilias, tendências do sangue a coagular, hereditárias ou adquiridas;
  • infecções próximas, como de ouvido, seios da face ou pele do rosto;
  • câncer e alguns tratamentos contra o câncer;
  • desidratação importante;
  • doenças inflamatórias, como lúpus e doença inflamatória intestinal;
  • trauma de crânio e cirurgias na cabeça.

Em parte dos casos, nenhuma causa é encontrada.

Como é feito o diagnóstico

O exame que melhor mostra o coágulo é a ressonância magnética com venografia. Na emergência, a tomografia com angiotomografia venosa também é muito usada. A arteriografia cerebral raramente é necessária para o diagnóstico. Exames de sangue para procurar trombofilias e outras causas costumam ser feitos depois da fase aguda.

O tratamento: anticoagulante

O tratamento principal é a anticoagulação: remédios que “afinam o sangue” impedem que o coágulo cresça e ajudam o corpo a reabrir as veias. Isso vale mesmo quando já há um pequeno sangramento no cérebro, o que costuma surpreender as famílias. O sangramento é consequência da veia entupida, e desentupir é o que trata a causa. A anticoagulação começa no hospital e continua por meses, em geral de 3 a 12, ou por mais tempo quando há uma trombofilia ou outra causa persistente.

Outros cuidados incluem tratar a causa (por exemplo, suspender o anticoncepcional ou tratar uma infecção), controlar as convulsões e acompanhar a visão.

Procedimento por cateter pode ser considerado em casos selecionados, quando a pessoa piora mesmo com a anticoagulação ou chega em estado grave. Os estudos até agora não mostraram benefício para todos os casos graves, então a decisão é caso a caso, em centros com experiência. A cirurgia para aliviar a pressão é necessária só em situações raras, com inchaço muito grande do cérebro. A maior parte dos casos é tratada sem procedimento, só com remédios e acompanhamento.

Depois da fase aguda

O acompanhamento inclui exames de imagem para ver se as veias reabriram, a decisão de quanto tempo manter o anticoagulante, a investigação de causas e orientações sobre anticoncepcional e gravidez no futuro. O anticoncepcional com estrogênio costuma ser contraindicado depois. A gravidez é possível para muitas mulheres, com planejamento e acompanhamento médico.

Raramente, a trombose deixa como sequela uma fístula dural, que pode ser descoberta nos exames de controle. Se aparecer um zumbido que pulsa no ritmo do coração, avise o médico.

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Escrito por
Dr. Ricardo Quadros

Neurocirurgião em Belo Horizonte. CRM-MG 33.699 · RQE 10.580.

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